Muitos ficam na dúvida de quando podem se dizer espíritas ou não. De fato, é uma questão íntima de proceder no nosso dia-a-dia. Kardec colocou de forma muito clara na obra Obras Póstumas, na seção "Ligeira resposta aos detratores do Espiritismo" o que é um espírita de fato, eis as palavras na íntegra:
"O Espiritismo não é solidário com aqueles a quem apraza dizerem-se espíritas, do mesmo modo que a Medicina não o é com os que a exploram, nem a sã religião com os abusos e até crimes que se cometam em seu nome. Ele não reconhece como seus adeptos senão os que lhe praticam os ensinos, isto é, que trabalham por melhorar-se moralmente, esforçando-se por vencer os maus pendores, por ser menos egoístas e menos orgulhosos, mais brandos, mais humildes, mais caridosos para com o próximo, mais moderados em tudo, porque é essa a característica do verdadeiro espírita."
É evidente que devemos buscar conhecimentos através dos estudos das obras básicas da doutrina (todas elas disponibilizadas gratuitamente para download no site da FEB), porém a prática moral indicada por Kardec é fundamental para nos dizermos espíritas de fato. Ainda, no que diz respeito à necessidade dos estudos, na mesma obra e seção, Kardec escreve:
"Da liberdade de consciência decorre o direito de livre-exame em matéria de fé. O Espiritismo combate a fé cega, porque ela impõe ao homem que abdique da sua própria razão; considera sem raiz toda fé imposta, donde o inscrever entre suas máximas: Não é inabalável, senão a fé que pode encarar de frente a razão em todas as épocas da Humanidade."
Dessa forma, fica muito claro que ao estudo sério, criterioso e esclarecedor deve-se, impreterivelmente, aliar a prática moral.