"Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as ideias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns. Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas consequências." Allan Kardec (Óbras Póstumas, "Projeto 1868").


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pensando no tríplice aspecto


O espiritismo é uma doutrina que se fundamenta em uma base filosófica, científica e religiosa. Conforme as definições apresentadas no seu estudo inicial, o espiritismo entende que, ao comprovar a existência dos espíritos, a comunicação entre vivos e mortos e a imortalidade da alma, através da alternância cíclica de estados físicos, denominado reencarnação, estabelecem-se princípios dos quais se origina uma filosofia ou concepção de vida. Daí que Herculano Pires considera o Livro dos Espíritos como um verdadeiro tratado filosófico.

No meio espírita esta é uma questão muitíssimo polêmica, uma vez que muitos entendem o espiritismo como sendo prioritariamente uma religião. Para tanto, alegam que não haveria a dispersão das ideias do espiritismo se este não houvesse o exercício dos fundamentos filosóficos através da atividade benemérita.

Entretanto, apenas o exercício do auxílio fraterno não justifica a crença na imortalidade da alma e as consequências que esse entendimento proporciona sobre tudo aquilo que se faz e pensa. Fazer o bem do próximo é uma maxima que encontra ressonância na maioria dos escritos de outras religiões.

Se, no lado experimental, essa discussão já é complicada, a física tem demonstrado o quanto estamos distantes de entender as interações intergaláticas e a intimidade da matéria (http://www2.uol.com.br/vyaestelar/quantico_classico.htm). A física contemporânea promove hipóteses e teorias que, para muitos, beiram a ficção, devido a complexidade matemática de suas constatações e a visão de universo dela derivada. Estas, tornam algumas pessoas mais ateístas, enquanto outras acham que estas descobertas possam ir ao encontro de uma visão mais espiritualista do universo. Se, nesse ponto, olharmos as descobertas da física pelo viés espírita, as discussões em torno do Espiritismo ser uma filosofia ou uma religião se tornarão bastante áridas.

Considerando que a maior parte das evidências que fundamentaram o Espiritismo foi originária das investigações de Allan Kardec, seria interessante entendermos até que ponto as discussões filosóficas no espiritismo podem se apoiar nos avanços da ciência contemporânea. Isso seria de extrema relevância, uma vez que a falta de suporte desproporcional à investigação empírica dos fenômenos mediúnicos empobrece a argumentação e favorece o aparecimento de posturas dogmaticas, revestidas por uma casca tida como progressista.

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